O NEGRO APÓS A ABOLIÇÃO


A situação dos negros após a abolição da escravatura não sofreu grande alteração.
Eles não se integraram à sociedade e continuaram vítimas de fortes preconceitos.
Museu Histórico Nacional.

Após a abolição da escravidão, muitos negros continuaram fazendo
o que faziam anteriormente, só que por conta própria. Muitos
preferiram as cidades e tentavam a vida vendendo coisas na rua.



Foto de mulata bem vestida para o trabalho livre e assalariado
em um salão do Rio de Janeiro.

APÓS A ABOLIÇÃO

A situação dos antigos escravos não sofreu alterações, variando de acordo com a região do Brasil. Mas, de uma maneira geral, não houve um processo de integração dos negros à sociedade. Quando muito, conseguiam trabalho em pequenas roças de subsistência ou, então, tornavam-se parceiros nas fazendas de café. Outros abandonavam as antigas propriedades onde eram escravizados, indo para as cidades, formando uma mão-de-obra marginalizada pela concorrência do imigrante. Os negros foram jogados no mundo dos brancos, sem nenhuma assistência.

Algumas propostas reformistas foram feitas pelos abolicionistas, entre os quais Joaquim Nabuco, André Rebouças e José do Patrocínio, visando a melhoria das condições de vida dos antigos escravos. Uma delas defendia a divisão dos latifúndios improdutivos com o objetivo de vender pequenos lotes de terras para os libertos. Outra sugestão era a universalização da educação básica para "arrancar o negro da ignorância". Estas medidas não foram efetivadas.

A inexistência de reformas mais amplas permitiu a exploração do ex-escravo. Na província do Rio de Janeiro, por exemplo, as autoridades policiais obrigavam o liberto a assinar um termo de "bem-viver", pelo qual ele se comprometia a trabalhar. A coação e a violência não eram aplicadas mais pelo chicote, mas sim através de normas que objetivavam acabar com o "ócio" e a "vadiagem". Alguns fazendeiros empregavam o antigo cativo pagando míseros salários.

O Rio de Janeiro, capital do Império, exerceu o papel de pólo de atração para muitos libertos. Porém, o seu mercado de trabalho incipiente não possuía condições de absorver essa mão-de-obra, proporcionando o surgimento de um amplo contingente de desempregados e subempregados, alguns vivendo nas fronteiras da legalidade e ilegalidade. Em função da existência de circunstâncias que não permitiam o exercício pleno da cidadania, proliferaram grupos, como os capoeiras, que vagavam pelas ruas da cidade vivendo de expedientes considerados escusos. Considerado, na época, "malandro", "preguiçoso" e "ladrão", o negro continuou sendo excluído da sociedade branca e europeizada.


0 comentários:

Postar um comentário